Discussão sobre Zika e direitos reprodutivos das mulheres aconteceu em Caruaru - Blog do Edvaldo Magalhães

25 de abril de 2018

Discussão sobre Zika e direitos reprodutivos das mulheres aconteceu em Caruaru


Nesta terça-feira (24), a ONG Grupo Curumim realizou formação com cerca de 25 profissionais de saúde pública de Caruaru sobre direitos reprodutivos das mulheres, especialmente em casos de Zika, no auditório do Hospital Jesus Nazareno. Na ocasião, também foi apresentada o canal de comunicação “Vera”, uma linha direta de telefone e mensagens (WhatsApp), que pode ser acessada por mulheres e jovens para tirar dúvidas e acessar orientações seguras com relação a direitos sexuais, reprodutivos. 

“Só veio a somar para nossa formação, a gente sabe de algumas falhas que o sistema de saúde tem e que a falta de informação ainda existe, mas esse momento foi muito importante aqui em Caruaru, que é um polo que abrange 32 municípios nessa 4ª GERES [Gerência Regional de Saúde]”, diz Maria Eliane Gonçalves, enfermeira coordenadora do Núcleo de Educação Permanente do Hospital Jesus Nazareno.

As ocorrências de casos de microcefalia em sua maioria atingem famílias com maior vulnerabilidade social, o que toca diretamente as mulheres, principalmente mulheres negras. Para a coordenadora do Grupo Curumim, Paula Viana, e facilitadora da formação, “esses dados podem estar relacionados à falta de uma política de planejamento reprodutivo e ao acesso à informação e aos métodos contraceptivos, assim como à falta de uma política eficaz para o sexo seguro”, pontua. Por isso a necessidade de se reforçar essas informações junto à sociedade, principalmente às mulheres. 


Ana Elizabeth, gerente de políticas de saúde para as mulheres, da Secretaria de Políticas para as Mulheres de Caruaru, avalia que não deixar que essa discussão sobre os altos números de Zika no estado e sua relação com o debate sobre direitos reprodutivos das mulheres é de suma importância. “Esses debates precisam serem mais instigados e levados para a base da assistência, para que as mulheres estejam mais informadas e possam caminhar com mais segurança em suas vidas”, afirma. 

A  Linha Direta “Vera”, que foi apresentada, é um desdobramento da campanha criada, em 2016, pelo Grupo Curumim, com foco no enfretamento à epidemia do vírus Zika. Na linha, dúvidas podem ser tiradas de segundas as sextas-feiras, das 14h às 18h, através do número (81) 9.85807506. O atendimento é gratuito. 

Para Ricardo Castro, professor do curso de medicina no Campus Agreste da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), iniciativas como esse canal de comunicação com as mulheres são fundamentais. “Quando a discutimos Zika a gente não tá discutindo só sua prevenção, mas da Aids, da Sífilis, da Hepatite... e é uma possibilidade de reavivar uma discussão que é importante”, pontua. 

O Grupo Curumim iniciou campanha de interiorização dessa discussão com profissionais de saúde pública e da Linha “Vera”. Nesta quinta-feira (26), a ação acontecerá em Palmares, e nos próximos dias 30/04 e 01/05 acontecerá na região da Reserva Indígena Pankararu (Tacaratu, Petrolândia e Jatobá).

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