Lula afirma que irá se entregar à Polícia Federal ‘De cabeça erguida’ - Blog do Edvaldo Magalhães

7 de abril de 2018

Lula afirma que irá se entregar à Polícia Federal ‘De cabeça erguida’


Em seu discurso, após missa em homenagem a Marisa Letícia, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, São Paulo, Lula admitiu que irá se entregar à Polícia Federal, apesar dos apelos feitos pela militância. “Vou de cabeça erguida e peito estufado, porque vou provar minha inocência”, disse o petista, ao encerrar seu discurso.
Lula criticou a imprensa por ter publicado acusações contra ele e seus filhos e fez referência à ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em 2017. “Eu talvez viva um momento de maior indignação que um ser humano vive”, disse. “Não é fácil o que sofreu a Marisa. A antecipação da morte da Marisa foi a maior safadeza e sacanagem que a imprensa e o Ministério Público fizeram”, disse.
“Há muito tempo atrás eu sonhei que era possível um metalúrgicosem diploma na universidade cuidar mais da educação do que os diplomados e concursados que governaram esse país”, afirmou. “Se foi esse o crime que eu cometi, eu vou continuar sendo criminoso“, afirmou.
“Eu vou atender porque eu quero fazer a transferência de responsabilidade, eles acham que tudo nesse país acontece pela minha causa. Já fui condenado por um juiz de Manaus. Tenho a língua ferina e está chegando a hora da onça beber água”, disse o líder petista.
Na ocasião, Lula também afirmou que, mesmo preso, será representado pela militância petista que, na sua visão, será a grande responsável por manter suas ideias vivas. “Não adianta evitar que eu ande por esse país. Tem milhões de lulas, manuelas, boulos. Não adianta tentar parar o meu sonho, porque eu não puder sonhar, sonharei pela cabeça de vocês”, colocou.
No final de sua fala, o petista gritou: “Meu coração baterá pelo coração de vocês, não adianta eles acharem que vão fazer com que eu pare. Eu não sou mais um ser humano, eu sou uma ideia. Essa é uma prova, eu vou cumprir o mandado”, disse Lula.
Ele revelou, ainda, que pessoas próximas chegaram a sugerir que ele se exilasse em outro país. “Eu não tenho mais idade. A minha idade é enfrentá-los olho no olho, vou enfrentá-los. Quero saber quantos dias eles vão pensar que estão me prendendo. Quanto mais dias eles me deixarem lá, mais lulas vão nascer nesse país. Estou fazendo uma coisa muito consciente”, frisou.
Por fim, o ex-presidente provocou: “Não estou escondido, não estou foragido. Eu vou na barba deles. Para eles saberem, vou provar a minha inocência”. “Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a chegada da primavera. E nossa luta é em busca da primavera”, finalizou.
Entenda o caso:
Lula e a ex-primeira-dama Marisa Letícia foram denunciados pelo Ministério Público Federal, por serem supostamente os verdadeiros donos de um triplex no Guarujá. De acordo com a denúncia, as reformas feitas no imóvel pela construtora OAS eram parte de pagamento de propina da empreiteira, que teria sido favorecida em contratos com a Petrobras. O imóvel teria sido reservado para o ex-presidente, mesmo sem ter havido transferência formal, o que configura tentativa de ocultar o patrimônio (ou lavagem de dinheiro). O valor dos recursos citados chegaria a R$ 2,2 milhões.

Em 12 de julho de 2017, o juiz de primeira instância Sérgio Moro,  da 13ª Vara Federal de Curitiba, condenou Lula a nove anos e seis meses de prisão. A defesa apelou ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) – em Porto Alegre, segunda instância da Justiça – , mas Lula foi condenado novamente, no dia 24 de janeiro de 2018, e teve a pena aumentada para 12 anos e 1 mês de reclusão.
No dia 4 de abril, com o placar final de 6 a 5, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) negaram o pedido de habeas corpussolicitado pela defesa de Lula na tentava de impedir a execução provisória da pena imposta a partir da confirmação de sua condenação pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.
Os advogados do ex-presidente sempre negaram as acusações, sustentaram que o julgamento foi político e que houve cerceamento da defesa. No dia seguinte (5 de abril), o juiz Sérgio Moro recebeu um ofício do Tribunal Regional Federal da 4ª Região informando que já não havia obstáculos legais para o início do cumprimento da pena do petista e emitiu a ordem de prisão em seguida.

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