Temer decreta uso das Forças Armadas contra greve de caminhoneiros - Blog do Edvaldo Magalhães

25 de maio de 2018

Temer decreta uso das Forças Armadas contra greve de caminhoneiros

Foto: Metrópolis

Em pronunciamento na manhã desta sexta-feira (25/4), o presidente da República, Michel Temer, anunciou que usará forças federais — entre elas a Marinha, o Exército e a Aeronáutica — para obrigar os caminhoneiros a encerrarem a greve que paralisa o país pelo quinto dia consecutivo. Em tom duro, o chefe do Executivo nacional disse que, de forma imediata, “vai implantar o plano de segurança para combater os graves efeitos de desabastecimento causados por essa paralisação”.

Além de autorizar o uso de força militar no âmbito federal, Temer pediu para que os governadores fizessem o mesmo em seus estados. “O governo espera e confia que cada caminhoneiro cumpra o seu papel. O governo teve, como tem sempre, a coragem de dialogar. Agora, terá a coragem de exercer sua autoridade em prol do povo brasileiro”, discursou.
A fala oficial do presidente ocorre no quinto dia de protestos que causam desabastecimentos em praticamente todos os setores da economia. Antes de anunciar que colocará o Exército nas ruas, Temer disse que atendeu a 12 reivindicações  prioritárias dos caminhoneiros.
“Esse foi o compromisso conjunto. Esse deveria ter sido o resultado do dialogo. Muitos caminhoneiros, alias, estão fazendo sua parte mas, infelizmente uma minoria radical tem bloqueado estradas e impedido que muitos caminhoneiros levem adiante o seu desejo de atender à população e fazer o seu trabalho”, afirmou o presidente.

Desobstrução de vias
A ação das forças federais será autorizada por decreto presidencial que deve ser publicado em edição extra do Diário Oficial até o fim da tarde desta sexta (25). O Ministério da Segurança Pública já está em contato com secretários de unidades da federação para articular a atuação nos estados.

A prioridade na desobstrução será das vias que dão acesso a seis aeroportos que enfrentam problemas – entre eles o de Congonhas e o de Brasília —, além de duas termelétricas e seis “bases” de combustíveis pelo Brasil. As primeiras ações devem ocorrer no Rio de Janeiro, que já está sob intervenção federal.

As forças de segurança terão autonomia, inclusive, para assumir a direção de caminhões cujos donos não obedeçam a ordem de desobstrução. Também estão autorizadas a prender os que não acatarem a decisão. Ainda não há previsão de quando a desobstrução deve ser finalizada, mas o governo pretende fazer um monitoramento permanente da situação.

Acordo frustrado
O pronunciamento ocorre menos de 24 horas depois o governo anunciar que havia fechado acordo com as categorias, colocando um ponto final ao movimento pelos próximos 15 dias. Nessa quinta (24), após um dia inteiro de negociações entre representantes dos caminhoneiros e ministros, as partes costuraram um acordo para pôr fim à greve da categoria que prejudicou o abastecimento de carros, ônibus e até aviões comerciais; impediu a distribuição de alimentos; e prejudicou o funcionamento regular de serviços essenciais, como hospitais e transporte público.

o governo comprometeu-se a reduzir a zero a alíquota das Contribuições de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) e manter a redução de 10% no preço do diesel, anunciada na quarta (23) pela Petrobras, pelos próximos 30 dias. Além disso, os reajustes do preço do diesel nas refinarias poderão ocorrer de 30 em 30 dias, diferentemente da política da Petrobras de correções quase diárias.

Locaute
Já a Polícia Federal vai investigar a possibilidade de locaute — participação dos patrões — na paralisação dos caminhoneiros. Mesmo com a câmara de compensação proposta pelo governo, que manterá, por meio de subvenções bancadas pelo Tesouro, o preço do diesel estável para os distribuidores, o que se constata nesta sexta é a ampliação dos pontos de retenção das estradas e não a redução do movimento, como esperava o governo federal.

Locaute é caracterizado quando empresários de um setor contribuem, incentivam ou orientam a paralisação de seus empregados. Ou seja, é uma greve liderada pelos patrões, com o intento de obtenção de benefícios para o setor, o que é proibido por lei. (Com informações da Agência Brasil).

Fonte: Metrópoles.com

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